Criar, experimentar e construir também exige cuidado.
Espaços makers são ambientes de criação. Neles são encontrados diferentes materiais, ferramentas, componentes eletrônicos e equipamentos que podem ser utilizados para transformar ideias em projetos. No entanto, essa diversidade também exige atenção à segurança.
Ferramentas de corte, equipamentos elétricos, máquinas em movimento, superfícies aquecidas, partículas, poeiras, produtos químicos e instalações elétricas podem apresentar diferentes riscos. Por isso, segurança não deve ser tratada apenas como uma lista de equipamentos de proteção individual.
Em contextos educacionais, esse cuidado é ainda mais importante: atividades , ferramentas e equipamentos devem ser compatíveis com o público, o nível de experiência dos participantes e as condições de supervisão.
Um espaço maker seguro começa pelo planejamento, pela organização do ambiente e pelo uso consciente de cada recurso.
01. SEGURANÇA COMEÇA ANTES DA ATIVIDADE
Antes de iniciar um projeto, é importante identificar quais materiais, ferramentas e equipamentos serão utilizados e quais riscos podem estar associados a eles. Perguntas simples ajudam nesse planejamento:
Quem utilizará a ferramenta ou equipamento?
A atividade exige supervisão?
Quais riscos estão presentes?
É necessário utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI)?
Como materiais e resíduos serão armazenados ou descartados?
É necessário treinamento prévio?
O equipamento é adequado à idade e à experiência dos participantes?
Existem proteções instaladas no próprio equipamento?
O ambiente possui ventilação, iluminação e espaço adequados?
O que deve ser feito em uma situação de emergência?
A avaliação deve considerar as características específicas de cada atividade. Não existe uma única regra de segurança capaz de atender a todos os projetos e equipamentos de um makerspace.
02. ORGANIZAÇÃO TAMBÉM É SEGURANÇA
Uma bancada organizada não serve apenas para deixar o espaço mais agradável. Cabos atravessando áreas de circulação, ferramentas espalhadas, materiais armazenados de forma inadequada, resíduos acumulados ou equipamentos sem local definido podem contribuir para acidentes.
Algumas práticas ajudam a manter o ambiente mais seguro:
Manter áreas de circulação desobstruídas.
Identificar área e equipamentos que exigem atenção especial.
Organizar cabos e extensões.
Manter bancadas livres de objetos desnecessários.
Manter equipamentos de emergência acessíveis.
Definir locais para armazenamento de ferramentas e materiais.
Manter iluminação adequada nas áreas de trabalho.
Armazenar materiais de acordo com suas características.
Retirar resíduos e sobras após atividades.
Restringir o acesso a ferramentas ou máquinas quando necessário.
Ao final de uma atividade, guardar, limpar e organizar também fazem parte do projeto.
Não saber utilizar uma ferramenta não é um problema. Utilizá-la sem saber é.
03. CONHEÇA A FERRAMENTA ANTES DE UTILIZÁ-LA
Toda ferramenta deve ser utilizada de acordo com a sua finalidade e com as orientações do fabricante. Antes do uso, é importante verificar as condições do equipamento e conhecer seus comandos, proteções, limitações e procedimentos de operação.
Ferramentas danificadas, adaptações improvisadas ou dispositivos de proteção removidos podem ser riscos desnecessários. Equipamentos mais complexos com partes móveis, sistemas de corte ou altas temperaturas devem ser operados somente por pessoas devidamente orientadas.
04. TREINAMENTO E SUPERVISÃO
Em ambientes educacionais, disponibilizar uma ferramenta não significa que todoso estejam automaticamente preparados para utilizá-la. A orientação deve acontecer antes do primeiro uso, adequada ao equipamento e à atividade.
Dependendo da ferramenta, pode incluir:
Demonstração de funcionamento.
Forma correta de segurar ou posicionar materiais.
Cuidados em ajustes ou troca de acessórios.
Identificação dos principais riscos.
Ligar e desligar o equipamento.
Equipamentos de proteção necessários.
Apresentação das proteções existentes.
Orientação sobre limpeza.
Procedimento em caso de falha.
Ferramentas e máquinas com riscos incompatíveis com a autonomia dos participantes devem ser usadas somente com supervisão ou restritas a pessoas capacitadas.
05. PROTEÇÃO COLETIVA VEM ANTES DA INDIVIDUAL
Quando pensamos em segurança, óculos, luvas e protetores auditivos costumam ser as primeiras imagens que aparecem. Mas o Equipamento de Proteção Individual é apenas uma das formas de proteção.
Sempre que possível, os riscos devem ser reduzidos primeiro por meio do próprio ambiente, da organização do trabalho e de medidas de proteção coletiva. Isso deve envolver:
Proteção e barreiras incorporadas às máquinas.
Sistemas de exaustão ou ventilação.
Enclausuramento de áreas de risco.
Dispositivos de parada e sinalização.
Organização do fluxo de pessoas.
Manutenção adequada de equipamentos.
Restrição de acesso e procedimentos seguros de operação.
Os EPIS complementam essas medidas quando o risco da atividade exige proteção individual.
06. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPIS
O EPI deve ser escolhido de acordo com o risco existente, e não simplesmente porque determinado equipamento costuma aparecer em um makerspace. Entre os equipamentos que podem ser necessários em atividades makers estão:
PROTEÇÃO DO OLHOS E FACE Óculos de segurança ou proteção facial podem ser necessários em atividades que produzam partículas, respingos ou outros riscos para olhos e face.
PROTEÇÃO AUDITIVA Algumas máquinas e ferramentas podem produzir níveis de ruído que exigem avaliação e proteção adequada.
PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA Poeiras, fumos, névoas e outras partículas ou substâncias presentes em determinadas atividades podem exigir controle de exposição e, quando indicado, proteção respiratória própria.
PROTEÇÃO DAS MÃOS Luvas podem ser indicadas para riscos químicos, térmicos, abrasivos ou de outra natureza. Atenção: luvas não devem ser tratadas como proteção universal em máquinas de partes móveis, pois seu uso pode introduzir risco de agarramento.
PROTEÇÃO DO CORPO E PÉS Dependendo da atividade, aventais, vestimentas apropriadas e calçados adequados podem contribuir para proteção contra respingos, materiais quentes, objetos ou produtos.
No Brasil, equipamentos caracterizados como EPI para fins de segurança e saúde no trabalho devem observar os requisitos da NR-6 e possuir o Certificado de Aprovação (CA) aplicável.
07. CUIDADOS COM ALGUNS RECURSOS COMUNS
FERRAMENTAS MANUAISUtilize a ferramenta adequada à tarefa, verifique seu estado de conservação e mantenha as mãos afastadas da trajetória de lâminas e superfícies de corte.
Ferramentas danificadas devem ser retiradas de uso.
FERRAMENTAS MANUAISUtilize a ferramenta adequada à tarefa, verifique seu estado de conservação e mantenha as mãos afastadas da trajetória de lâminas e superfícies de corte.
Ferramentas danificadas devem ser retiradas de uso.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOSImpressoras 3D, cortadoras a lases e CNC têm requisitos próprios. Instalação, operação e manutenção devem respeitar as especificações do fabricante. Proteções não devem ser removidas.
ELETRÔNICA E ELETRICIDADEVerifique conexões antes de energizar circuitos, utilize fontes compatíveis com o projeto e evite intervenções em circuitos energizados. Tensões maiores exigem qualificação adequada.
SOLDAGEM ELETRÔNICAFerros de solda atingem temperaturas elevadas e devem ficar em suporte apropriado quando não usados. Organize a área para evitar contato acidental e considere a ventilação necessária.
FABRICAÇÃO DIGITALCortadoras a laser envolvem riscos com o calor, fumaça e materiais processados. Insumos inadequados ao equipamento podem ser tornar tóxicos no corte ou gravação. Impressoras 3D têm partes aquecidas e móveis: siga sempre o fabricante.
08. MANUTENÇÃO FAZ PARTE DA SEGURANÇA
Uma ferramenta segura precisa continuar segura ao longo do tempo. Estabelecer uma rotina de inspeção ajuda a idenficar desgaste, cabos danificados, peças soltas ou proteção defeituosas antes que provoquem acidentes.
Equipamentos danificados devem ser retirados de uso até possam ser avaliados e reparados adequadamente.
09. PREPARE-SE PARA EMERGÊNCIAS
Mesmo com planejamento e prevenção, o espaço deve estar preparado para responder a situações inesperadas. É importante conhecer previamente:
Procedimentos para interrupção de equipamentos.
Rotas e saídas de emergência.
Comunicação e solicitação de ajuda.
Formas seguras de desligamento de energia.
Localização dos recursos de emergência.
Responsáveis pelo espaço e pela evacuação do espaço se necessário.
10. CHECKLIST ANTES DE COMEÇAR
O ambiente está organizado e livre de obstáculo?
Sabemos utilizá-lo corretamente?
Os participantes receberam a orientação necessária?
Os materiais são adequados ao processo utilizado?
Os EPIs necessários foram identificados?
A ferramenta ou equipamento está em boa condição?
As proteções do equipamento estão instaladas e funcionando?
A atividade exige supervisão?
As medidas de proteção coletiva estão disponíveis?
Sabemos o que fazer em caso de falha ou emergência?
Se alguma das respostas ao checklist for NÃO, resolva essa questão antes de começar.
SEGURANÇA TAMBÉM FAZ PARTE DO APRENDER FAZENDO
Experimentar envolver testar possibilidades, cometer erros e tentar novamente. Mas risco não precisa fazer parte da experimentação.
Criar uma cultura de segurança significa ensinar como preparar o espaço, conhecer as ferramentas, avaliar riscos, utilizar proteções e cuidar um dos outros no ambiente.
Um bom projeto não é apenas aquele que funciona. É aquele que também foi realizado com responsabilidade.
IMPORTANTEAs informações desse GUIA possuem caráter educativo e introdutório e não substituem avaliação profissional de riscos, normas técnicas, requisitos legais ou manuais dos fabricantes. Em ambientes profissionais ou institucionais, devem ser observadas as normas e exigências de segurança aplicáveis.